Mercado de seguros entra na mira após nova regulamentação
Entenda o que faz a nova regulamentação do mercado de seguros no Brasil, que permite que cooperativas de crédito se tornem cooperativas de seguros, abrindo caminho para novos modelos de atuação.
Cooperativas ganham espaço para atuar como seguradoras
As cooperativas de crédito, que já têm papel relevante na distribuição de seguros no país, passam a contar com uma possibilidade inédita: constituir cooperativas de seguros. A mudança foi viabilizada pela regulamentação do novo marco legal pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Com as novas regras, as cooperativas podem entrar diretamente em praticamente todos os ramos do mercado segurador. Antes, a participação direta ficava restrita a segmentos específicos, como seguro agrícola, saúde e acidentes de trabalho, então o avanço representa uma virada relevante para o setor.
Novo cenário para o cooperativismo
Para a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a regulamentação removeu a última barreira que travava o desenvolvimento desse modelo de negócio. As cooperativas interessadas agora precisam estruturar seus projetos e obter autorização da Susep, cumprindo exigências de viabilidade econômica, capitalização e governança.
Mesmo com o interesse crescente, a expansão não deve ser imediata. O caminho exige investimento alto, além de conhecimento técnico, estrutura atuarial, tecnologia, gestão de riscos e redes de atendimento especializadas. Por isso, a tendência é que os primeiros passos aconteçam em parceria com seguradoras já estabelecidas, inclusive por meio de operações de cosseguro, unindo a técnica das seguradoras à proximidade regional das cooperativas.
Parcerias devem impulsionar os primeiros projetos
O tamanho do segmento chama atenção. O cooperativismo de crédito brasileiro reúne cerca de 22 milhões de cooperados, e aproximadamente 10 milhões já usam produtos de seguro oferecidos por seguradoras parceiras. Outro diferencial é a capilaridade: em mais de mil municípios, a cooperativa é a única instituição financeira com presença física, o que amplia o alcance para educação financeira e securitária em regiões pouco atendidas.
Nesse contexto, instituições como Sicoob e Sicredi acompanham de perto as oportunidades, enquanto seguradoras como MAG Seguros, Mapfre e AXA já se posicionam para apoiar o novo ciclo, com expertise técnica, desenvolvimento de produtos e suporte às operações conjuntas. A expectativa do setor é que a soma entre a força do cooperativismo e a experiência das seguradoras amplie a inclusão securitária no país.
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