O QUE ACONTECE COM A RENDA DE
UM JOGADOR QUANDO A LESÃO
CHEGA ANTES DA APOSENTADORIA
A carreira de um jogador de futebol tem um relógio que corre mais rápido do que o da maioria das profissões. O auge dura poucos anos, o corpo é a ferramenta de trabalho e uma única contusão grave pode encerrar tudo antes da hora. É nesse cenário que o seguro deixa de ser burocracia e vira parte central do planejamento financeiro do atleta.
O ponto de partida costuma confundir. Todo clube é obrigado por lei a manter seguro para seus jogadores, mas essa apólice existe para cumprir a exigência legal e blindar o vínculo contratual, não para cuidar da vida financeira individual de quem está em campo. Na prática, o atleta que conta apenas com a cobertura do clube fica descoberto justamente no que mais importa: a própria renda.
O tempo joga contra
Quem entende bem esse relógio é William Machado, ex-zagueiro e capitão do Corinthians, hoje assessor de investimentos e sócio da FAMI Capital. A frase que ele usa resume a lógica da carreira curta: “cada dia é um dia menos”. A mensagem é direta: a proteção do patrimônio precisa começar no início da trajetória profissional, não quando os sinais de desgaste aparecem.
O raciocínio faz sentido porque o jogador acumula a maior parte do que vai ganhar na vida em uma janela estreita de tempo. Perder essa janela por uma lesão significa perder não só o salário do mês, mas anos inteiros de capacidade de faturamento que dificilmente se recuperam.
As coberturas que protegem o corpo e a renda
O seguro individual entra para cobrir exatamente os riscos que a carreira esportiva concentra. Entre as modalidades mais relevantes para atletas estão:
Invalidez Permanente por Acidente (IPA). Protege contra a perda total ou parcial da capacidade física provocada por um acidente, o cenário clássico da contusão que encerra a carreira.
Invalidez Funcional Permanente Total por Doença (IFPD). Cobre a perda permanente de autonomia causada por uma doença, e não por trauma.
Doenças graves. Paga em diagnósticos como câncer, AVC, infarto e condições neurológicas, ajudando a bancar tratamento e a segurar a renda durante o afastamento.
Segundo a MAG Seguros, algumas dessas coberturas com uso em vida partem de R$ 50 por mês, um custo pequeno diante do que está sendo protegido.
O que dizem o mercado e as seguradoras
Rodrigo Cunha, gerente de Produtos e Inteligência de Mercado da MAG Seguros, resume o papel do seguro como o mecanismo que permite atravessar um imprevisto sem que o atleta precise abandonar seus projetos de vida no meio do caminho.
Rafael Cló, cofundador e CEO da Azos, acrescenta uma provocação que amplia o tema: proteger a capacidade de gerar renda não deveria ser um privilégio reservado a atletas de elite. A mesma lógica vale para qualquer pessoa cujo sustento depende do próprio corpo em funcionamento.
Uma lição que vai muito além do gramado
O caso do jogador é extremo e didático, mas o princípio é universal. Motoristas de aplicativo, autônomos, profissionais da construção civil e tantos outros vivem da própria capacidade produtiva e ficariam igualmente expostos diante de uma lesão ou doença que os tirasse de circulação.
A conclusão é a mesma para todos: quando a renda depende do corpo, o seguro deixa de ser um gasto opcional e passa a ser a rede que impede um imprevisto de comprometer a segurança financeira da família e os planos de longo prazo.
Fonte
- • InfoMoney: “Lesões, aposentadoria precoce e renda: como o seguro protege jogadores de futebol”